
Depois de longo tempo, que durou uma copa do mundo, volto a postar aqui no blog. Prometi não postar nada durante a copa apenas para poder assistir aos jogos e não me sentir na obrigação de postar sobre determinadas partidas mais interessantes.
Gostaria de escrever sobre uma grande empolgação acerca das contratações do Vasco e como o time vai certamente melhorar e como o excelente Rodrigo Caetano está acertando o elenco. Gostaria mesmo, mas não há outra notícia na mídia esportiva além do caso Bruno. Antes ainda, quero ressaltar que o direito brasileiro prevê o instituto da presunção de inocência, isto é, quem quer que seja acusado é inocente até que se prove o contrário. Não defendo a execução sumária do atleta, apesar de pessoalmente crer que ele está envolvido no assassinato daquela garota até o pescoço. O que me assusta é como ficam claros o caráter e a cultura das instituições desportivas aqui no Rio de Janeiro.
Os quatro clubes grandes do RJ têm culturas definidas, algumas nem tanto, outras bem claras. Já houve tentativas de mudança na cultura e no caráter dos clubes, nem tão bem sucedidas assim. O que ocorre é que isso pode influenciar decisivamente algumas atitudes dos atletas desses mesmos clubes, senão vejamos:
Botafogo: aqui temos uma cultura de superstição e de fatalismo que já vem de antes do famoso cachorro “biriba” e do incrível Mane Garrincha. É um clube cheio de manias que até o ajuda a ser simpático, mas se algo da rotina dá certo, fica imortalizado para “atrair” a boa sorte.
Fluminense: cultura da aristocracia, do “ser melhor”, do ser “superior” que muito contribuiu para que o racismo e a discriminação fossem quase que institucionais no clube. Boa parte de sua torcida tem orgulho desse caráter do clube e o citam como “aristocrático”. Dominou por muito tempo a política na federação de futebol do RJ, e não sei se por isso, não tem títulos internacionais de vulto.
Vasco: Origem humilde, como o navegador que homenageia, é desbravador, o primeiro clube do Brasil a conquistar títulos internacionais, o primeiro carioca a ser campeão brasileiro, criou o gandula e o pagamento do “bicho” após as partidas. Rompeu e rompe barreiras, o primeiro a aceitar negros e humildes em seus quadros de atletas, o primeiro a ter um presidente que não era branco, o único dos quatro grandes do RJ que subiu divisão por divisão até o topo, teve por um bom tempo o maior estádio particular da América Latina, estádio esse construído com o dinheiro dos sócios, torcedores e simpatizantes, sem “apadrinhamento”, enfim um clube tem uma cultura de lutar muito, muitas vezes contra fortes interesse escusos, e tentaram mudar essa cultura mas não deu certo, adiante veremos como foi.
Flamengo: Clube que tem suas origens no racismo e na discriminação, clube que tem muitos títulos duvidosos, sempre tendo alguma coisa estranha nas conquistas, o que não vou comentar agora. Desde as décadas de 60/70, teve um incremento de marketing altamente forçado (Walter Clark, jornal dos sports, etc) que criou a ilusão da torcida fiel ao extremo que dá apoio incansável (balela...) e que se “deixar chegar na final já era” e coisas desse tipo. Nesse clube impera a cultura da impunidade. Quando o Botafogo foi roubado em uma das últimas finais do carioca, essa ficou conhecida como a final do “chororô” e não a final da “vergonha”. Pode-se roubar, o outro é que não pode reclamar. Há pouco tempo um caso emblemático é o do lateral Juan que fez a falta no Maicossuel, botou o dedo na cara dele, o ameaçou e tudo ficou por isso mesmo. Nesse clube, os atacantes convivem com traficantes, dão motocicletas para os mesmo, vão a festas promovidas pelo tráfico, posam com armas, participam de orgias com jegues, anões e, de repente, algumas mulheres, quebram o pau com suas (no plural) garotas, fogem do exame antidoping, não são exemplo para criança nenhuma, muito menos “ídolos” e tudo fica por isso mesmo, só pra citar os mais recentes. É a cultura da impunidade.
Acredito que um jovem atleta, com um salário astronômico, com “amigos” o tempo todo bajulando, com mulheres de todo tipo correndo atrás deles, e com essa cultura da impunidade, possa se imaginar como intocável. Ele pode crer que nunca vai ter que responder por seus atos. Volto a dizer, eu realmente torço para que o Bruno seja inocente, espero que tudo seja esclarecido, mas está difícil.
PS: como prometi, explico a tentativa de mudança da cultura do Vasco: houve uma época em que se tentou criar uma cultura do “tudo posso” com muito trabalho de bastidores na federação do RJ, com o caso do acidente de carro do Edmundo, com a política do “o que importa é ganhar”. O Vasco era temido no “tapetão”. O problema é que vascaíno não é deslumbrado, manipulável, e reagiu. Queremos títulos sim, mas aqueles conquistados no campo, legalmente, com bola na rede.
Um abraço a todos.